NOITE, SEMPRE NOITE

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NOITE

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Fabrício Carpínejar- Baseado em: Medo de se Apaixonar- NÃO SENTI MEDO DE ME APAIXONAR

Não senti medo se sofrer que não estava acostumada.Não senti medo de me conhecer e me esquecer outra vez.Não senti medo de sacrificar a amizade. Não senti medo de perder a vontade de trabalhar, de aguardar que alguma coisa mudasse de repente, de alterar o trajeto para apressar encontros. Não senti medo se o telefone tosasse ou se não tocasse. Não senti medo de inventar desculpa para me ver livre do medo. Não senti medo de me sentir observada em excesso, de descobrir que a nudez ainda é pouca perto de um olhar insistente. Não senti medo de ser engolida como se fosse líquido, de ser beijada como se fosse líquen, de ser tragada como se fosse leve. 
Não senti medo de me apaixonar e não prever o que poderá sumir, o que poderá desaparecer. Não senti medo de que ele seja um canalha, medo de seja um poeta, medo de que seja amoroso, medo de que um pilantra, incerta do que realmente quer, talvez todos em único homem, todo um pouco por dia. Não senti medo do imprevisível, que foi planejado. Não senti medo de que ele mordia meus lábios e provasse o sangue.
Não senti medo de oferecer o lado mais fraco do corpo. O corpo mais lado da fraqueza. Não senti medo de que ele fosse o homem certo na hora errada, a hora certa para o homem errado.. Não senti medo de me ultrapassar e esperar por anos, até que antes disso e depois disso possam se coincidir novamente. Não senti medo de largar o tédio, nem de que ele inspire a violência da posse, a violência do egoísmo, que queria reparti-lo com ninguém, além dele. Não senti medo de que ele fosse melhor do que as suas respostas, pior do do que suas dúvidas. Não senti medo de que ele não fosse vulgar para se escorraçar, mas deliciosamente rude para chamar, que ele se vire para não dormir, que ele acorde ao escutar a minha voz. Não senti medo de ser sugada como se fosse pólen, soprada como se fosse brasa, recolhida como se fosse paz. Não senti medo de ser destruída, aniquilada, devastada, e não reclamar da beleza das ruínas. Não senti medo de ser antecipada e ficar sem ter o que dizer. Tão pouco de não ser interessante o suficiente para prender a atenção dele. Não senti medo da independência dele, de sua algazarra, de sua facilidade em fazer amigas. Não senti medo que ele não precisasse de mim. Tão pouco de ser uma brincadeira dele quando falava sério ou que bancava o sério quando fez uma brincadeira. Não senti medo dos cheiros dos travesseiros, cheiro das roupas, dos cabelos, de não respirar sem recuar. Não senti medo que o medo de entrar no medo seja maior do que o medo de sair do medo.Não senti medo de machucar, ferir, agredir para não ser agredida nem machucada. Não senti medo de passar felicidade sem reconhecê-la, tão pouco medo do cansaço de parecer inteligente quando não há o que opinar. Não senti medo de interromper o que recém iniciou, de começar o que terminou. Não senti medo de enlouquecer sozinha.


sábado, 6 de abril de 2013

OUTRA NOITE QUE SE VAI


TOCA O MARLEY NA VIOLA


Ainda no meu tempo, continuo indo nos lugares que CORSÁRIO vai. Ainda no meu tempo, continuo buscando o olhar obscuro de CORSÁRIO. Ainda no meu tempo, busco a solidão e choro por opção, não quero, não vou me olhar obscura. Ainda no meu tempo, fico imaginando os lugares que poderíamos estar juntos. Ainda no meu tempo, ainda busco as mensagens no telefone, fotos e releio o blog. Ainda no meu tempo, nada de novo. Não quero. Ainda no meu tempo, fico sozinha no bar, sentada, fumando esperando ele chegar. Ainda no meu tempo, espero ele ligar. Ainda no meu tempo, evito ir na casa dele. Ainda no meu tempo, se ele passar ou ligar, vou evitar. Ainda no meu tempo, levanto e vou trabalhar, sorrio, choro, lavo roupa, tomo banho e minha febre vem. Ainda no meu tempo, penso que ele deve estar com outra. Ainda no meu tempo, minto que não quero mais. Ainda no meu tempo, penso que minha família é tudo prá mim. Ainda no meu tempo,sonho que estou no mar. Ainda no meu tempo, obstinada, abstinência. Ainda no meu tempo, droga vencida, ardida doída. Ainda no meu tempo, toca um Marley na viola.

OUTRA NOITE QUE SE VAI
E outra noite que se vai
E eu não to correndo atrás
Quanto tempo já passou
E a gente nem se falou
Quanta coisa a gente faz
Depois quer voltar atrás

Outra noite que você
Passa e finge que nem vê
Não esconde o teu rancor
Quer tentar me enlouquecer
Quanta coisa a gente faz
Depois quer voltar atrás

Então me diz alguma coisa
Bate aqui de madrugada
Pra lembrar daquele tempo
Pra sempre ou só por um momento
Me dá um beijo na boca
E depois me leva pra tua casa

Perguntou por mim que eu sei
Olha por mim vai tudo bem
Disse que me viu passar por ai
E que eu não tava muito bem
Quanta coisa a gente faz
Depois quer voltar atras

Então me diz alguma coisa
Toca um Marley na viola
Pra lembrar daquele tempo
Pra sempre ou só por um momento
Me dá um beijo na boca
E depois me leva pra tua casa

Perguntou por mim que eu sei
Olha por mim vai tudo bem
Disse que me viu passar por ai
E que eu não tava muito bem
Quanta coisa a gente faz
Depois quer voltar atrás

Então me diz alguma coisa
Toca um marley na viola
Pra lembrar daquele tempo
Pra sempre ou só por um momento
Me dá um beijo na boca
E depois me leva pra tua casa