NOITE, SEMPRE NOITE

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NOITE

domingo, 27 de julho de 2014

IR......

VONTADE DE SILÊNCIO

E como se não bastasse, tudo, tudo se tornou em quase nada....Vida desprotegida. Mãe, viajou. Mãezinha viajou para além do que eu possa entender. Não faço quase nada para entender. Apenas o silêncio da minha mente. As lágrimas que com fel me feriam a boca, os olhos que doíam de tão molhados e salgados, a dor na garganta  do grito que não saía, o medo de perder a vida, o rosto da minha mãe me olhando como se quem dizia: "Eu sei de tudo da sua vida" E sabia. Levou consigo todos os meus segredos. Mãezinha querida, dona do mistério do céu, do infinito. A primeira da família a conhecer o paraíso que Deus fez com tanta magnitude, nos aguardando depois dessa longa caminhada de proveitos, aprendizagem espiritual, depois de tantas dores, amores, sofrimento, enfim, o infinito. Mãezinha do meus olhos. Falta-me agora a visão de ver as coisas com mais ternura. O Vazio que ELA me deixou, será para sempre aqui na Terra. Mãezinha, amor eterno, vida que te te feliz agora. Quem sou eu agora, mãezinha? Um pequeno vagalume no Universo e tu mãezinha? Uma luz imensa no cosmo, onde ao encontrar os teus, com abraços, carinho e amor, com certeza, vai rir de mim. Dos meus desapegos, das minhas lágrimas, das minhas dores.UM DIA, UM DIA, VAMOS NOS ABRAÇAR.Queria hoje ser um pássaro de fogo, ir ao cosmos, te abraçar, voltar para cuidar destes que deixaste comigo, para preencher os meus dias.

domingo, 6 de julho de 2014

O TEMPO DO FRIO

"Agimos certo sem querer, foi só o tempo que errou, vai ser difícil sem você porque você não está comigo o tempo todo...Já que você não está aqui, o que posso fazer é cuidar de mim...Lembra que o plano era ficarmos bem. Bem, olha só o que achei...Cavalos Marinhos"
Novamente, internação. Meu CORSÁRIO desta vez foi fundo. Está no hospital Psquiátrico São Pedro. Não me contive das razões do meu ser, busquei de todas as maneiras, para continuar. Trabalhar, ver o vento, ir á praia, vestir a melhor roupa, fazer sexo com um desconhecido ou conhecido, beber vinho, fumar e finalmente, roer unhas novamente. Ir ao salão de beleza toda sexta-feira, se tornou uma rotina para mim. Busco a beleza do meu ser exterior onde não consigo mais achar interiormente. As pessoas estão começando a se cansar de mim. No samba, não fui mais. No barzinho também não. Estou curtindo eu mesma. Meus programas são como uma onça solitária ou tão claramente uma CORSÁRIA em alto mar, pescando, caçando baleias, ou peixinhos pequenos para sobrevivência, tomando água salgada, menstruando e gostando do sangue que vê, se misturando com ânsia de modificar toda esta verdade. A verdade de não ter CORSÁRIO e de saber que tão decididamente, os tratamentos que ele faz são periódicos e que isto também se tornou uma rotina para n[os, vai e volta, como se tudo fosse tão normal. 
Tenho a impressão de que nada, nada será como um dia já foi antes.
Os dias passam, a vida vem, tudo, tudo. E ele, quase nada. Agora, novamente distante de mim. Preso, no seu passado e seu futuro. Vejo ele nos meus sonhos. Lágrimas correm, mãos em oração, dor e sofrimento. 
Tenho vontades. Vontade de revê-lo e mostrar um mundo melhor. Mas como? Estou tão Fraca. 
"Cordeiro de Deus que tirais os pecados do mundo, tende piedade de nós."
Mas saí, procurei LOBO, fizemos sexo por todos os lados. Seu cheiro, o quarto me deixa pensando em CORSÁRIO, não é o mesmo cheiro, mas lembra sim. Seu sorriso meio a meio, me faz lembrar os dentes encravados num sorriso medroso de CORSÁRIO, ele, LOBO, me trata bem, me procura e me quer. E eu vou, e eu vou, dizendo a outras pessoas que vou me encontrar com meu CORSÁRIO, então, tudo bem, a ilusão se faz.