No dia seguinte, ao dia em que finalmente conheci MARABÔ, minhas pernas, ainda flutuavam em um mar de admiração, prazer, paixão. Sentia calafrios, depois de passar a noite inteira suando. A cama ficou molhada.Minha camiseta grudava ainda no meu corpo. Então decidi, ir embora. Queria sair dali. Olhei pela janela, uma chuva fininha, se fazia tão molhada quanto eu estava. A rua, cinza de vento castrado, vento de praia, sombrio e frio, queimando a pele, me fez pensar em uma caminhada. Sim por que não? Caminhar, na chuva, na rua, no mar. Cheguei na porta do quarto onde dormiam meus amigos e anfitriães. Estavam dormindo calmamente, um sono profundo. Olhei o meu quarto, a menina que dormia comigo, filha do casal, sonhava coisas inquietantes, porque ela assim como eu, mexeu-se a noite inteira. Mas, apara meus cuidados. Decidi colocar a minha roupa, colocar as coisas calmamente dentro do quarto e ir embora, entrar no meu carro e ir embora, escutar minhas músicas e ir embora, Foi o que fiz. Peguei minha mochila, minha coberta, meu travesseiro, encostei na porta do lado de fora. Silêncio, silêncio completo. Amei, amei o silêncio. Peguei um quadro que havia ganhado de presente de BABALORIXÁ. Gostei muito, pois marcará com certeza minha trajetória naquela casa, naquela rua. Novamente calafrios percorriam meu ser. Mas tive coragem. A mesma coragem que me fez chegar até aqui. A mesma coragem que me fez viver CORSÁRIO. A mesma coragem que fará eu viver MARABÔ. Insisti na minha coragem.Coloquei tudo minunciosamente. Olhei para o segundo piso. Era lá que ele estava. E lá tbm estava CIGANA, que mais tarde, vim a descobrir que é irmã de MARABÔ. CIGANA, na tarde anterior me perguntou se eu não dava carona prá ela. De imediato, disse que meu caminho era contrário, então me lembrei que seria possível sim. Subi, o segundo piso. Cheguei próxima á porta, para ver se tinha alguém acordado. Ninguém, me pareceu. Então desci novamente, silenciosamente. E silenciosamente, peguei meu carro e fui. Fui com toda a coragem, ainda não entendendo nada, sem saber ao certo o que ocorria comigo. O porquê de tanta admiração e aquela imagem de MARABÔ, na minha mente. O dia, a noite, o sorriso, a boca trancada, o cheiro, a chuva, o sol. Fui. E cheguei. Até agora, não esqueci MARABÔ e não vou esquecer tão cedo.
domingo, 22 de novembro de 2015
segunda-feira, 16 de novembro de 2015
DE PRETO
De vestido preto, sapato preto,salto alto, colar, paetês, brincos longos vermelhos. Eu entrei.Porque era noite especial. Noite de festa. Meu cabelo crespo tomando conta de tudo, minhas pernas, também quase desnudas, uma bela maquiagem que durou uma hora para ficar perfeita, minhas unhas grandes e com bordas pretas, meu melhor perfume. Pronta, pronta para viver não sei o quê.Eu não sabia, m,as ele sabia. MARABÔ, sabia. Ele é o rei do mar. Eu sou CORSÁRIA .Eu sinto falta de CORSÁRIO. Mas tenho uma impressão, uma esperança. Quando entrei, senti que os pés de MARABÔ me abriram o caminho. E quando a respiração dele, chegava perto de mim, sentia os meus maiores instintos e maiores sonhos e fantasia que até agora realizadas com CORSÁRIO, estavam novamente se tornando realidade. Não fiquei quieta.., não consegui acalmar meu espírito. Não consegui prestar atenção em nada. Sentia o cheiro dele, tão pertinho. A bebida, o cigarro, o blazer, a camisa, o chapéu, o rosto moreno, os olhos fechados, a flor vermelha. Que cenário. Eu pensei que finalmente, não era sonho. Era realidade. Ele existe. O homem que me levou para algumas viagens incandecentes, que até hoje eu não conhecia. Era ele, que estava junto comigo e CORSÁRIO assistindo tudo. Lembro de uma vez , que no quarto da mãe de CORSÁRIO, eu vi ele, nos olhando e sorrindo prá mim. Senti tanto a presença dele em mim, o calor de CORSÁRIO e o olhar frio de MARABÔ. Lembro tbm que eu e CORSÁRIO....Meu Deus, agora tudo se encaixa! Na praia á noite, nós dois, CORSÁRIO me levou para uma casa de magia, bruxaria eu entendi assim. Mas não. Hoje eu sei, era um santuário para MARABÔ. Eu não entendia nada, não sentia nada. Nossa! Tudo explicado. A voz de CORSÁRIO, mudava e falava comigo, como MARABÔ. MARABÔ, tomou conta do meu ser. Agora com mais intensidade sonho com ele. Com mais realidade. Eu quero MARABÔ prá mim.
quinta-feira, 5 de novembro de 2015
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