E dali há uns dias, ele ressurgiu e trouxe consigo uma mensagem. Eu chorei. Mas não retornei.
domingo, 23 de agosto de 2015
PASSADO
Finalmente, tomei a decisão. Desta vez definitiva. Vários telefonemas. Alguns não atendi. CORSÁRIO me ligava sem parar. Já tinha combinado com amigas que eu ía sair. Jantar num lugar, bom gurias legais. Eu coloquei minha melhor roupa e estava decidida a ir. Quando novamente o telefone tocou. Então finalmente atendi. Era novamente CORSÁRIO. Não perdoei-me quis encarar. Não adiantava mais adiar, tinha que falar. Não quero mais. Chega de tantas desilusões e de vida perigosa. Chega de ir a lugares incomuns. Chega de tanto mar, lua, estrela, bebidas, festas escuras. Chega de ilha, vaga-lumes, lágrimas, alegrias, solidão e foguetes, bicicleta, carro, suor, unhas ruídas, pele, osso, cigarro, maquiagem, maquiagem borrada, shows, noite escura, dias de sol, orações, bandidos, arrependimentos, coragem. Cansei. Velas, luzes, barcos, redes. Cansei. E com coragem, novamente, fiz minha melhor maquiagem, coloquei meu melhor perfume, liguei meu carro e no lugar que ha anos e anos nos encontramos, fui. E lá estava ele, do mesmo jeito, me esperando com o cigarro na mão, naquela parada. Ele não exitou nenhum momento de me dizer que estava com saudade. Muita saudade. Nenhum momento por surpresa minha, eu fiquei feliz. Não estava feliz. Estava trite em saber que mais uma vez, estava disposta a terminar e não sabia se ía terminar. Eu queria ir em um lugar público, mas ele não. Eu queria tomar algo. Mas ele não. Paramos em um buteco, depois de andar muito de carro, quando compramos algo para beber. Aquela noite para mim, não tinha estrelas, nem lua. Também não sentia o cheiro dele. Me senti muito só... E assim permanecemos no silêncio durante algum tempo, mas aquele silêncio, era preciso. Caímos em nós mesmos, quando ele começou a falar do passado. Já sabia ele, que eu não estava bem e que realmente naquele momento, nada mais seria possível. Ele sabia, mas não acreditava, talvez nem eu. Fomos no meio da noite, no mato, nas estrelas e o medo de eu não conseguir era maior. Mas eu não podia fraquejar. E como num susto eu disse: Não quero mais. Chega de tantas desilusões e de vida perigosa. Chega de ir a lugares incomuns. Chega de tanto mar, lua, estrela, bebidas, festas escuras. Chega de ilha, vaga-lumes, lágrimas, alegrias, solidão e foguetes, bicicleta, carro, suor, unhas ruídas, pele, osso, cigarro, maquiagem, maquiagem borrada, shows, noite escura, dias de sol, orações, bandidos, arrependimentos, coragem. Cansei. Velas, luzes, barcos, redes. CORSÁRIO sem saber o que dizer, Suspirou, suspirou de uma maneira, que eu nuca tinha visto, mas era real. Então, ele me disse: "Queria tanto acreditar que não é verdade, mas pela primeira vez em todos estes anos, sinto uma sinceridade, não vindo de tua boca, como antes, mas da tua mente." A minha mente, naquele momento, entrou em eclipse com a dele. E assim, fomos. Um para cada lugar. Ele ainda indagou o porquê de tudo isto. Eu não quis responder. Apenas disse: "O FIM"
Assinar:
Postagens (Atom)