Das imagens que tenho dos filhos, são duas distintas: Antes e depois de enfrentar o Tubarão.
Tenho uma vaga lembrança que meus filhos eram com personalidades distintas e regulares. Hoje a dúvida me acompanha, talvez eu esteja comparando-os. Sei lá...eles diriam que sim.
Meu menino, eterno menino, sempre foi um menino, com alma e muitas vezes comportamento de mulher, sensibilidade de mulher, meu eterno companheiro, sempre disposto a dizer, sim,sim,sim, sem saber as consequências, pois trata de sua mãe, sua eterna mãe. Ás vezes fico pensando se eu fosse embora daqui deste plano hoje, ou amanhã segunda-feira, o que seria do meu menino? Seria o óbvio que assim como eu, penduraria durante muito tempo no relógio da vida, olhando as paredes e se perguntando e agora? Como? O que fazer com esta casa e este jardim? Depois tomaria conta da tal liberdade que tanto busca em sonhos fugazes que não encontra. E sinceramente? A liberdade, muitas vezes vem acompanhada de algo surpreendente, ela nunca vem sozinha. E por mais certeza que se tenha que ela é boa e que vale a pena, aquele algo surpeendente, toma conta do estar sozinho. O estar sozinho, faria parte da vida de meu menino. Até eu descobrir o Tubarão, meu menino era considerado por mim, já quase uma criatura independente, um leãozinho indo em busca de sua caça, com alguma dificuldade, mas indo. Cheio de lutas, conquistas que muitas vezes ele nem se quer conhecia ou sequer se dava conta. Meu menino com sua simplicidade, não sabia que conquistava um bom emprego, uma boa faculdade, uma organização financeira e do lar, mas estava lá. Enquanto eu estava fora, meu menino administrava tudo tão bem, com supremasia e estava colhendo frutos maravilhosos, que hoje, caem em suas mãos, mas que ele não está notando e avaliando o quão grande são os benefícios da sua vida.
O meu problema atual, fez com que meu menino, não aceitando que isto está a acontecendo, não entende que a realidade tão dura, tão crua, está batendo na sua porta. Continua a não me dizer não. Continua sendo meu amigo e companheiro, no entanto, está se esquecendo de si próprio e neste se esquecer, é mais fácil, sair de perto de mim, não me ver como tal, porque ele também acredita que a Maroka, está sentadinha num cantinho, aguardando tudo isso passar. Mas enquanto este momento não chega, meu menino está novamente se entregando a amores e paixões fora de casa, pessoas ruins que querem sugar dele a pouca energia que ele tem. Sinceramente...tenho saudade do meu menino, porque agora, ele não é só meu, ele é de todo mundo.Acredito que mais cedo ou mais tarde, meu menino vai voltar, cheio de energia, amor, alegria, alegria esta que não vejo mais em seu olhar. Sim, talvez pelo sofrimento que ele não fale, ou talvez porque esconde algo que não queira me dizer, para me poupar, mas mal sabe ele que não tenho medo de nada, nem da morte.
Minha menina é uma critatura que nasceu estabelecendo seus critérios. Foi concebida quando ela quis, nasceu como ela quis, lutou ao nascer, como ela quis e ainda hoje, faz tudo como ela quer.
Sempre com passos largos na vida, sem medo e receio, porém sabedora de suas conquistas bem planejadas, por isso, não tinha, não tem e nunca terá medo ou receio do que calculadamente pensa em idealizar, vejo-a como aquela pessoa que foi escolhida por Deus para ser minha filha, calculadamente escolhida no cosmos, como aquela que entraria na família para sustentar e equilibrar esta família formada por nós três.
A menina revira os olhos, quando falo algo que na concepcção dela é errado, eu não discuto, porque ela não permite, ela sabe que ela na vida deve passar o que está determinado por ela e se errar, bem, foi determinado por ela e sinceramente, ela assina embaixo.
Foi a última a saber da existência do Tubarão porque a menina já tinha uma estrutura um lar, feito por ela, limitado e ilimitado por ela, determinado por ela,quando ela decidiu viver uma vida que ela calculadamente definiu por ela, fora deste lar aqui onde ela foi criada.Então, para evitar que a menina levasse um choque de como administraria dois lares, sim porque assim ela se sentiria e se sente, foi evitado até o último momento a existência do Tubarão.
Consegui viver um bom momento sem o auxílio dela, mas como me deparei com certas coisas que me impossibilitaram de exercer certas ações, tive que chamá-la, tive que pedir para se ausentar do seu lar, não só por mim, mas pelo menino que estava sobrecarregado.
Como era de se esperar, a menina veio, olhou, observou e foi se organizar, retornou. E agora, comanda, reluz, luz que brilha neste lar, sem medo, sem demagogias. Não acredita em por acaso, não substima o Tubarão o encara como se ele estivesse dentro dela.É autêntica e voraz, exige do Tubarão que vá embora, porque ela também tem pressa de viver e retornar as atividades do lar dela.
Exímia em tudo que faz, a menina não quer me ver triste, muitas vezes me dá impressão de que ela pensa que eu exagero nas minhas dores reclamando do que sinto, dos meus dias tão diferentes. Vou sentir falta. Diz muitos nãos, mas levantando a bandeira do Sim. Sim a vida, Sim a verdade, Sim, eu sou.
A menina chora, chora muito quando não é entendida porque ela passa muito tempo da vida, tentando e entrando na vida dos outros, para ser entendida, mas se não for....azar, chora e não corre atrás.
O Tubarão prá ela, entra no obscuro, quando ela dorme,assim, nada é exigido, nada é feito, então ela fica na fragilidade, mas então...ela está dormindo, ninguém viu, ninguém sabe
A menina vai embora novamente deste lar e vai deixar a certeza de que agora, finalmente agora, eu sei quem ela é.