NOITE, SEMPRE NOITE

NOITE, SEMPRE NOITE
NOITE

domingo, 16 de junho de 2013

VISITA

Tudo acaba eu sei, eu sei. Estou vivendo uma vida que seria normal.Normal sem CORSÁRIO, isto é, sem estar com ele, sem beijá-lo, sem abraça-lo, sem sentir o seu cheiro, sem roer unhas, sem noites quentes, sem vapor no carro, sem idas e vindas na RS, Free-Way, sem atravessar o Jacuí, sem árvores, sem frutos, sem o pênis dele, ardendo dentro de mim, sem a sombra do corpo dele, magricelo e escandalosamente alto, colocando os dedos dentro da minha vagina, sem os morros da prainha, sem pescadores, sem o cheiro da marijuana, sem as fotos mal tiradas, guardadas em segredos, sem pescadores, sem boteko com cachaça, licor, vinho, sem mulheres nos observando, perguntando o que uma pessoa como eu, mulher, altiva, tão dona de si, poderosa, alegre gentil, faz com um loko destes. Estou vivendo dentro da normalidade, conversando com pessoas, trabalhando, cuidando da casa, limpando, lavando roupas, pintando unhas, me arrumando, fazendo parcerias para shows, orando, sim anormalidade, me sinto aliviada, mas ainda não estou feliz. Felicidade prá mim, é pequenos momentos de ilusão, viver intensamente estes momentos e tá difícil. Meu Freezes em que me encontro enclausurada, me sono, durmo muito, fumo muito, sorrio muito para o nada. Pego meu transporte vou trabalhar, pego transporte, venho prá casa. Comprei roupas, pintei cabelo, fui em festas, fui em shows, fiz tudo, tudo exatamente como deve ser.Mas.....Mais que de repente, o que acontece? MADAME BURTEFLY, me chama. CORSARIO está hospitalizado, sozinho, gelado. Então acredito mais, muito mais do que eu. Como sempre, muito mais do que eu. Eu que pensei que meu Freezer, ía me dar poderes suficientes para viver, então acontece. Meu CORSÁRIO, abriu o Freezer, roubou a chave de ESTER e abriu o Freezer para me chamar. Onde? Quando? Lá fui eu, com MADAME BURTEFLY, fomos. Pegamos a estrada, meu coração, minhas mãos quentes, na minha cabeça, arrepios, levantavam meus cabelos, agora longos, com pontas loiras, crespos, muito crespos. MADAME BURTEFLY, me explicava o porquê de CORSÁRIO estar ali. Achei certo, correto, tava na hora, do congelamento, meu e dele. "Levanta meu herói", Tentei chorar, não consegui. Só pensava....por que eu? Por que eu? Como queria obter respostas. As Respostas, não vêm, não virão, não quero ouvir.Dirigindo o carro dele, cheguei. Escadaria a dentro, último andar. Meu CORSÁRIO, está preso, num lugar branco como o céu. Está livre das impurezas do mundo.MADAME BURTEFLY o ama, muito mais do que eu. Quando a porta abriu, meu olho, brilhou, pensei em chorar, sorrir, gritar, pensei em ficar do lado de fora. Levava comigo, roupas, suco, café, bolacha, bala, cigarro, cobertores.AGORA CHORO,AGORA MINHAS LÁGRIMAS SALGADAS ME DOEM. De longe vi meu CORSÁRIO sentado na sala de espera, aguardando MADAME BURTEFLY "Levanta meu herói". Ainda estava lindo, corado, resistente á tudo. CORSÁRIO resiste á tudo. Seu sorriso sem graça, fez-me recuar. Parei, sentei na sala de espera. Deixei que MADAME fosse primeiro ficar com ele, conversaram, então entrei. Beijei o seu rosto, quente, macio, barba feita, cheiro ainda gostoso, que só ele tem. Sentei na frente dele. CORSÁRIO comia como se fosse alguém que passava dias sem comer. Torta, balas, suco e aquele sorriso no rosto, sorriso de dor, sorriso de mente tardia. Saí, o beijei novamente. Ele: "Já vai?" Fui para fora fumar e olhar a cidade que do terceiro andar, acima da capela, se via, iluminando luzes, como vagalumes. Então pensei naqueles que ele esmagou. Ainda percebi meu egoísmo. Não voltei mais. Não quis mais vê-lo. Mas ficou para mim, a incubência de levar cigarros e refri prá ele esta semana. É lógico que vou. Levarei comigo, meu coração, minhas mãos geladas, meus arrepios, minha consciência perdida. Retratos, perdidos. Amo, tudo que vivo, odeio tudo que não vivo. Homens ao meu redor, dizem que sou uma mulher bonita. Bonita, bonita. Hammmmmm. Eu digo. Cheguei em casa, desliguei telefone, fui dormir.FUMO LEVE QUE FOGE ENTRE OS MEUS DEDOS.

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