NOITE, SEMPRE NOITE

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segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

CERVEJAS, CONHAQUE - SEGUNDA-FEIRA

Mais um dia.Tinha combinado com uma amiga que iria descer até a casa dela, tbm na praia, ela estava me aguardando, eu achava que era uma boa idéia, sair dali, passear, dá um tempo prá ele e prá mim. A primeira pessoa que vejo, ao abrir a porta, foi ele. Lá estava ele meu CORSÁRIO de café tomado, sentado na área, fumando um cigarro com uma xícara de café preto. Disse Bom dia, CORSÁRIO. Ele me cumprimentou com a cabeça. Naquela cabeça já estava tudo articulado. Na noite anterior eu havia dito que iria até a praia com minha amiga. Ele me perguntou:" Por que vc vai. Prá fazer zoeira, ou por causa dela?" Eu disse que era prá fazer zoeira. Ele ficou em silêncio. E este silêncio se reverteu no dia posterior. Antes que eu entrasse no carro, ele chegou em mim e disse que queria uma carona até o centro, depois eu poderia ir. Foi o que fiz, levei ele lá para pegar um fumo. Voltei. Tudo ele dizia o que tinha que fazer, como sempre. Eu estava irritada, brava. Comigo mesma. Falei prá ele do ADVENTO, o quanto ele é amável e gentil, mesmo estando á distância. Pensei que aquele dinheiro que eu estava gastando ali, poderia ser lá com ADVENTO, sentir o cheiro dele, o bjo dele, dormir com ele. Disse prá ele que ADVENTO provavelmente, não me levaria na boca de fumo prá buscar uma merreca de cigarro. Ele nada dizia. Me convidou prá tomar uma cerveja. Aquela cerveja foi uma, duas, três, quatro, cinco, até as 3hs da tarde. Minha amiga me ligou. Disse prá ela que não tinha condições, eu estava embriagada, não poderia levantar dali. Ele não estava, ele estava sóbrio. Conversamos sobre muitas coisas: Foi aí que ele me falou finalmente dos homens que acompanham ele, os que eu já sabia, pois uma vez, transei com um deles, não era meu CORSÁRIO, ele se mostrou prá mim. não disse nada prá ele. Deixei ele falar. Notei que os olhos dele, mudavam de cor. Ele disse que era ele, o cara que fica com ele. Ás vezes era verde, outras castanhos claros. Me disse que eu deveria dizer não prá ele, que eu estava arriscando demais. Que um dia eu ía ter uma surpresa. Me mostrou as fotos que ele tirou com uma garotinha que teve lá na praia, uma menina de 12 anos. Disse que estava apaixonado por ela. Eu falei: E vc está pronto prá receber ela? Com este cara aí junto contigo? "Eu quero ir na casa espírita". Combinamos. Quando ele chegar, vamos ir. Nada me abalou, nada foi surpresa prá mim. O homem que vive com ele, descobri, é o Corsário, não foi por acaso que escolhi este nome para ele. A menina que ele diz estar apaixonado, não é a mulher do Córsário. A mulher do Corsário sou eu. Ele ainda não olhou nos meus olhos e viu o que trago dentro de mim. Nossa vida era assim, ele no mar, roubando, matando, agressivo com todas as outras, mas quando ele parava na vila, me encontrava, me amava, me desejava e eu não queria, tinha horror dele e ele me agarrava e me estrupava, por isso nosso sexo tão intenso. Ele não sabe disso, um dia, quando ele sentir, eu vou dizer prá ele. Eu comandava as mercadorias, ele trazia pra mim, então ele me agarrava, bebia, fumava, e voltava pro mar. Eu chorava muito e por isso choro quando a gente transa. O meu CORSÁRIO, está procurando ela, mas ele está tão fraco que não a acha, não a vê. Nada é por acaso. Hoje eu sirvo á ele, faço tudo que ele quer, sem medo e tenho paciência com o outro. Fomos prá casa.Dormir, dormir muito. Dormimos até a noite, ele na rede, eu na cama. Tirei foto dele na rede. Chorei, sempre em silêncio. A noite chegou e foi desvastadora. Tomamos muita cerveja, fumamos baseado, e fomos num restaurante de uma mulher que ele julga ser uma bruxa, lá ele me contou uma história muito estanha. Disse que ela tinha colocado o nome dele no vudu. Nada disso, eu pensei. Deixei ele falar, gritar, chorar. Entramos com o carro no mar, dei o carro prá ele dirigir. Voamos pela beira da praia, á noite, bebemos cerveja, atolamos o carro. Meu coração estava palpitando muito. Chegamos no mais alto morro da praia de Torres, lindo, maravilhoso. A Brigada militar tirou o meu carro. Voltamos. As ondas fechavam meu carro, pára-brisa ligado, noite escura, começou a chuva. Tudo insensato, loucura insana. Paramos o carro. Ele não queria. Estava bravo comigo, porque eu não queria continuar com aquilo. Disse prá ele que precisava me acalmar. Então ele transou comigo, como um animal, estava possuído. Transei novamente com o outro. Pedi prá ir prá casa, mas mesmo assim ele me disse palavras obscenas "Morena, mulher, gostosa, maravilhosa, tens o sexo mais quente, coxas, músculos,cheiro,língua do meu corpo, guerreira" Por um momento ouvi a voz do outro.Fomos embora. Daí eu disse: Muito obrigada. Ele me disse com tom sarcástico: Obrigada vc que gastou um tanque de combustível comigo hoje. Senti vontade de bater na cara dele. Mas sabia que não era o meu CORSÁRIO, porque fazer o físico sofrer se ele não tinha culpa, quem tava falando era o outro. Abri a porta do carro e disse: Vc vai lavar o carro amanhã.

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