Então resolvi aceitar o convite da irmã de CORSÁRIO, ir a festinha de aniversário da filha dela, ou seja, da sobrinha de CORSÁRIO. Sim, ele tem família. Uma família nobre, de causas nobres, de pés nobres. Tão nobre é meu CORSÁRIO, com suas palavras e dedicatórias, com seu sorriso meio sorriso, com suas mãos suaves e obscenas. Sim, CORSÁRIO é nobre. Me senti um pouco privada de ir, pois sabia, imaginava que ele estaria lá. Senti calafrios, quando já decidida a não ir, apesar de ter confirmado presença, ainda com cabelos meio brancos, aparecendo frontalmente, unhas sem pintar, uma amiga, ou não, sei lá...isto é outra história, me ligou. "Vamos ao aniversário?", pensei, pensei, nem presente tinha comprado, pois bem, como não tenho visto muita gente, só o essencial, decidi ir. Ela veio me buscar nomeio-a de nome ABÓBORA. Sempre se fazendo de minha amiga e companheira, pois temos muitas coisas em comum, inclusive a idade e atração por CORSÁRIO, mas isto é outra história. Parece loucura, mas nem chegamos ao local, e avisto quem? CORSÁRIO, no carro com sua irmã, ainda no trânsito, levando a aniversariante, ainda comentei: "Seremos as primeiras convidadas a chegar. ABÓBORA, ficou estarrecida, mais, muito mais do que eu, disse com todas as letras: "Mas olha não é CORSÁRIO ali na frente?" Sim, eu disse, ele também está.Chegamos ao local da festa, um salão bonito e colorido, olho para cima e lá está ele, no segundo piso, fumando um cigarro na sacada. Logo meu pensamento:"Corro perigo" mas ao mesmo tempo, 'não, não corro perigo, pois estou de carona, nada, nada de mal, igual ou diferente vai me acontecer'. Enfim, fomos recepcionadas pela aniversariante e pela irmã de CORSÁRIO, tiramos fotos, todos os sorrisos e de repente, ele veio, abraçou primeiramente ABÓBORA, normal, abraço normal. Então minha vez. Me abraçou tão forte que engasguei nas minhas salivas, disse-lhe que o abraço era apertado e amei. Ele sorriu e eu pensei: "Corro perigo". A tarde transcorria entre doces, jogos, risos, cerveja e cigarro. Cigarro na rua. Eu fui fumar. E cheguei na rua, lá estava ele, no mesmo lugar de anteriormente. Fiquei ao seu lado em silêncio. Fiquei calada, por um instante sem olhar para ele. Mas ele não, tomou atitude. "Vamos dançar hoje?" Inventei mil desculpas, tô sem dinheiro, to de carona. Mas a insistência dele, falava mais alto e meus olhos, reviravam para cima, lembrando-me do perigo que corria. Então , então, aceitei. E num piscar de olhos, convidei ABÓBORA, para sairmos porque eu tinha um compromisso. Bom. Não falei qual era o compromisso, porque acredito que todos, menos uns que não sabem, imaginam da minha relação com CORSÁRIO, e na realidade, para todos, menos uns, eu falo que não tenho mais nada haver. Somente para mim, não falo isso. Ele queria dançar, dançar, dançar. E Eu, correndo perigo

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