terça-feira, 8 de outubro de 2013
CINQUENTA REAIS
Então, de repente, fiz sexo, como uma prostituta, senti muito prazer. Deixei que ele tomasse conta da minha vagina com seus dedos, sua língua em meus mamilos, fechando os olhos, me chupando, eu fechando os olhos e sonhando, gemendo, gritando, chorando. Gozei. Por um momento, pensava que era com meu CORSÁRIO, no entanto, quando abria os olhos de relance, via a imagem de JOÃO DE BARRO, que tem me dado prazer e eu á ele. Estamos em comunhão, não queremos transar com outras pessoas. Virei de costas, ele gozou, gozou muito. Eu não. Pensei que ía gozar antes, ele gozou primeiro, fiquei decepcionada então pensei, vou cobrar. Levantei, vesti-me não fui ao banheiro. Me vesti rapidamente olhei prá ele, e disse: “Cinquenta reais” Ele: “O quê?” Sim, cinquenta reais, é que cobro a domicílio, é barato não é? Não preciso de muito dinheiro, apenas estou cobrando a gasolina por ter vindo aqui. JOÃO DE BARRO não entendeu. Sorriu. Me vesti, passei a mão no gato e no cachorro dele que estão sempre assistindo nossa cena, devastadora, liguei o carro e chorei. Vi o rosto dele no retrovisor me olhando ainda nú, parado na rua, no sereno. Cheguei em casa, tomei meu vinho e orei. Pedi perdão ao meu CORSÁRIO. Mas, vida, vida, CORSÁRIO, está morrendo, e eu tenho que viver, e cobrar algo da vida. Cinquenta reais é o suficiente para o combustível do meu ser. Baratíssimo, por uma vagina e um traseiro e um pensamento obscuro pela voz me chamando na hora da morte AMÉM, de meu CORSÁRIO. Hoje CORSÁRIO ligou. Levei filmes para ele assistir, coloquei meu melhor perfume, meu melhor batom, minha melhor blusa, meu melhor salto e lambi o rosto do meu CORSÁRIO, deixei os filmes e fui embora. Para CORSÁRIO não cobro nada.
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